quinta-feira, 5 de abril de 2007

Meio segundo


Foi "O Maior". Chamava-se Ayrton Senna da Silva.

Dele dizia o Domingos Piedade que, nos treinos de qualificação, o seu pé direito 'tirava' meio segundo ao melhor tempo dos adversários.

A sua primeira vitória foi aqui no Estoril, no Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1, em 1985, ao volante do Lotus mais bonito que a Fórmula 1 alguma vez viu - o John Player Special, preto - , e numa pista completamente molhada devido à chuva intensa que caiu nesse Domingo. Era aí que ele mostrava todo o seu virtuosismo.

No ano anterior, em Monte Carlo, no Grande Prémio do Mónaco, na altura ainda ao volante de um Toleman, deu um verdadeiro recital de condução à chuva, que o tornou célebre.


Terminou em segundo lugar, numa altura em que a corrida foi polemicamente terminada antes do final por 'razões de segurança', pelo director da corrida. Nessa altura, vinha em franca recuperação, a ganhar vários segundos por volta ao líder da corrida e, mais tarde, vencedor, o francês Alain Prost.

Foi três vezes Campeão do Mundo. E ficou próximo mais umas quantas.

Como qualquer grande piloto, tinha um feitio 'difícil', digamos, que lhe trouxe alguns inimigos. Mas era um Mestre na condução e, com isso, criou uma legião de admiradores pelo mundo fora.

Lembro-me que, quando morreu, em 1994, claques adversárias de futebol começaram a gritar e a aplaudir, em conjunto e em uníssono, "É Campeão! É Campeão", durante os jogos desse Domingo no seu Brasil natal. Nunca se tinha visto nada assim.

Na Fórmula 1, só vi um piloto parecido com ele - o igualmente lendário Gilles Villeneuve. Mas lembro-me mal, pois era muito miúdo nessa altura. Quis a Vida que também ele, Villeneuve, não vivesse muito tempo.

Se se pudessem comparar modalidades, e pegando nas corridas de Motas, das quais também sou adepto (mas só das corridas), em destreza equiparo-o a dois outros 'grandes' que vi correr: o fantástico Kevin Schwantz - lembram-se das travagens da sua Suzuki Lucky Strike '34' em derrapagem controlada, a cento e tal kilómetros por hora? - e a 'Il Dottore', Valentino Rossi.

Gostava de ter visto corridas com os dois, mas tal nunca pôde acontecer. Devia dar faísca, na certa. Mas também deveria ser um espectáculo único!

Talvez agora andem a lutar pelas vitórias, noutro Campeonato qualquer, onde quer que estejam...

Quero crer que sim.

3 comentários:

gir@f disse...

Eu lembro me do Lotus Preto, ainda cheguei a ir vê-lo,ao Estoril, nesse carro.
Era fã e acompanhei a carreira dele, gostava imenso de Fórmula 1.
Foi um grande desgosto perder este meu ídolo.

Pitx disse...

http://pipaterra.blogspot.com/2005/03/coisas-de-homens.html

http://www.youtube.com/watch?v=F7lOQLWB3kA&mode=related&search=

eu nestas coisas não gosto de gastar muito tempo ou palavras com mariquices.

se o senna era bom piloto. sim, era. mas....

pois, mas!

Di Napoli disse...

Pitx,

Aqui fica a devida vénia pelo teu post. Grande momento!
Não devo ter visto o referido Grande Prémio, senão lembrava-me certamente.

Aquele abraço!