quarta-feira, 27 de junho de 2007

À moda antiga


Ontem à noite, estava a passar esta filmalhada no AXN. Fiquei, como acontece sempre que o apanho, preso a vê-lo. É a chamada "cobóiada à moda antiga". :)

Numa altura em que muitos já davam o western como um género acabado, eis que surge, em 1985, esta maravilha: "Silverado".

Nesse tempo, apenas o tio Clint se arriscava a fazer umas coisas - bem giras, por sinal! - tipo "Pale Rider". Pouco mais havia.

Dirigido pelo Lawrence Kasdan, que fez muitos dos filmes de que mais gosto, tem um elenco que, por si só, diz quase tudo: Kevin Costner, Kevin Kline, Scott Glenn, Danny Glover, Brian Dennehy, Rosanna Arquette, Jeff Goldblum, Linda Hunt, John Cleese (!!!) ... Julgo que poucos filmes se podem orgulhar de terem um cast assim.

É movimentadíssimo, divertido, embora também tenha, por vezes, momentos bastante dramáticos, tem os "bons" e os "maus", e uma história que, não sendo assim muito original, está muito bem contada.

A partir deste monumento, surgiram outros, dando a este género um novo fôlego. Destaco três, igualmente fantásticos: "Unforgiven", novamente do tio Clint, "Wyatt Earp" e, mais recentemente, "Open Range", ambos igualmente do Lawrence Kasdan.


Estes filmes são, quanto a mim, e dentro deste género, muito bons. Só que este foi, e continua a ser, um marco. Um must!

terça-feira, 26 de junho de 2007

Hóquei, está na altura de evoluir!


Há muitos anos, mais ou menos na mesma altura em que davam na rádio o Rali de Portugal (!), eu adorava o hóquei em patins!

Ouvia frequentemente os relatos, muitas vezes com os excelentes e, até hoje, inigualáveis, comentários do "mestre" Luís Gouveia. E lembro-me de ouvir nomes tão sonantes como os de Ramalhete, Livramento, Xana, Sobrinho, Picas, Piruças(!). Jogavam imenso e, melhor do que ouvir o nome deles na rádio, era vê-los na TV. Era um espectáculo!

Em Portugal, havia (e ainda há, diga-se de passagem...) três ou quatro equipas de nível mundial, numa altura em que o Hóquei em Patins tinha, parece-me, muito mais adeptos. Sporting, Benfica, C. A. C. O., Paço d'Arcos, e, julgo que também nessa altura, o F. C. Porto tinham excelentes equipas. Mais tarde, apareceram outras, como o Óquei de Barcelos, que também nos trouxe grande vitórias internacionais.

Costumávamos defrontar grandes equipas - como os espanhóis do Barcelona, do Réus, do Liceo da Corunha ou com os italianos do Roller Monza, do Vercelli, do Novara, entre outros - na disputa dos maiores troféus europeus. E, nos Campeonatos da Europa e do Mundo de Selecções Nacionais, normalmente "dávamos cartas".

Muitos dos grandes nomes do Hóquei em Patins eram de gerações anteriores à minha, como o Fernando Adrião ou o Jesus Correia (esse mesmo!, que jogava futebol no Sporting e hóquei no Paço d'Arcos ao mais altíssimo nível - só mesmo noutros tempos...). Tenho pena de não os ter visto jogar.

Sempre tivémos uma grande projecção, a nível mundial - tanto em termos de jogadores como de equipas - nesse belo desporto que era o Hóquei em Patins.

Era? Sim, acho que disse bem. Era.


Ultimamente, o Hóquei em Patins anda um bocado por baixo. E parece-me que não é só por cá.

A nossa Selecção Nacional não consegue ganhar à Espanha há já uns anitos. E a última vez que fomos campeões mundiais já foi em 2003, num campeonato que foi organizado cá, penso que em Oliveira de Azeméis. Desde então, temos vindo sempre a cair.

E porque é que isto acontece? Segundo sei, acho que até temos bons jogadores...

De vez em quando, ainda dou uma vista de olhos em jogos televisionados, e vibrei a sério com a última final da Taça de Portugal, um jogo emocionante entre o Académico de Cambra e o Hóquei Clube de Braga, jogado no mesmo dia do da Final da Taça de Portugal em Futebol. As equipas eram de menor nomeada, digamos assim, mas jogaram de uma forma aberta e, talvez, um pouco mais ingénua do que o que é costume ver noutras melhor apetrechadas. Se calhar foi por isso que gostei tanto... :)


Tenho pena que o meu Sporting tenha abandonado a modalidade nos seniores. Já fez o mesmo em Basquetebol e em Voleibol. Parece-me que o ecletismo de que nos orgulhávamos foi metido "na gaveta"...

E, já agora, será que o facto do Sporting ter deixado cair a modalidade também teve influência nalgum afastamento do público da modalidade? Veja-se o exemplo inverso do Futsal que, também por ter agora derbies Sporting - Benfica a toda a hora, está a crescer "barbaridades" em Portugal...

Não havendo mais F.C. Porto - Sporting's ou Benfica - Sporting's, será que isso contribuiu para afastar mais adeptos do hóquei?



Parece-me que um dos males do hóquei em patins é que, hoje em dia, é um jogo muito previsível. Há muita troca de bola - muito "carrossel", como se diz na gíria - e pouca finta. Pouco improviso. Muita expectativa na perda de bola adversária.

Se repararmos bem, quem defende cansa-se muito menos. Pode é ficar meio tonto com tanta volta do adversário... Bem, se calhar, é precisamente essa a ideia! :)

Uma das coisas que era espectacular de ver era as fintas. Os jogadores mais malabaristas fintavam os adversários e depois fugiam em direcção à baliza, criado que estava o desequilíbrio. Hoje em dia, é raríssimo de ver.


Parece-me que outra das coisas que, infelizmente, mais nos distingue dos outros nos jogos internacionais, é a velocidade. Ou melhor, a falta dela.

Lembro-me bem de ficar espantado com a enorme diferença visível nesse campo numa das últimas vezes que jogámos contra a Espanha, ou mesmo contra a Argentina - que, desde há já alguns anos, ascendeu ao top do hóquei mundial. Até metia dó! Parecia que estávamos parados...

Se essa lentidão passa mais despercebida por cá, lá fora nota-se imenso.

Será que essa lentidão vem de patinarmos pior? Pior do que o faziamos há alguns anos?


Aqui há uns dias, metemos água por todos os lados em mais um Mundial da modalidade. Este ano, então, ficámos em sexto lugar, atrás de selecções como a Suíça ou a França, com quem perdemos (coisa impensável aqui há uns anos!)... E se estes países evoluíram muito positivamente, acho que nós regredimos bastante - de resto, um pouco à semelhança do que se passa com a Itália.

Tudo bem que não temos assim nenhuma "vedeta mundial". Mas... em sexto lugar? Dizem que houve confusões na selecção dos jogadores. Coisas à portuguesa... E também na organização parece ter havido algumas falhas. Mas isso, infelizmente, não é só no hóquei em patins... É mais geral.


Parece-me que está na altura de dinamizar a modalidade. De nos adaptarmos aos tempos modernos. Sinceramente, acho que temos que patinar melhor! Temos que ter muito mais velocidade nestes nossos patins lusos! Porque jeito para dominar os sticks nós temos: rematamos bem, controlamos bem a bola... acho que falta é melhorar a arte de patinar.

Temos que evoluir, de uma vez por todas. Acho eu! Se não, mais vale pôr os patins no hóquei...

E acho também que só com velocidade é que se conseguem criar os desequilíbrios que permitem, primeiro, marcar golos e, depois, pôr a malta a vibrar com o jogo.

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Eu até ia um bocado mais longe: sugiro uma revolução. Acho que é altura de mudarmos para patins em linha.


Hoje em dia, já quase ninguém anda a patinar nas ruas em patins tipo-hóquei, não é? Pois acho que até poderia ser mais apelativo muda-se para estes patins mais contemporâneos, digamos. A malta até já domina a arte do patinar em linha... Basta ir à Expo, ou à Foz, e ver a malta a "deslizar".

Por uma questão de semelhanças que possam haver com o hóquei no gelo, poderia ser necessário aumentar o tamanho do rinque e, se calhar, até do número de jogadores de campo - de quatro para cinco... Será que ficaria mais dinâmico, o jogo?

O hóquei no gelo é muito mais emocionante e apelativo. Mas de longe! E se não acreditam, experimentem ver uma imagens.

O que vale é que isto de converter o hóquei em patins todo para hóquei em linha (até talvez já haja hóquei em linha...) é apenas uma ideia completamente marada. "Muito à frente", como ultimamente se diz. Mas até gostava de ver se resultava. :)

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Era bom que voltássemos a ter um desporto emocionante como já foi o "nosso" Hóquei em Patins. Acho que a beleza do jogo só teria a ganhar. E nós também!

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Cristina

Há alturas em que apanhamos assim uma pancada das valentes. Deve ser para nos lembrarmos de que esta merda está muito longe de só ter coisas boas…

Na madrugada de hoje, e depois de uma luta titânica contra uma maldita doença, a minha querida Amiga Cristina deixou-nos. A Cristina do Porto, como eu dizia, sempre que falava dela.


Faz agora dezoito anos que eu andava à espera do começo das aulas no Técnico. Como aquilo não atava nem desatava, fui com o António e o Pedro ao Porto pela primeira vez. E foi através do “Pedro Velho” (nome que ela lhe deu por ser o mais “velho”, em termos de amizade) que a conheci.

Lembro-me bem desse dia. Foi a 25 de Novembro de 1989, e chovia “à lá Porto”, como tinha que ser. Ficámos quarenta e cinco minutos à espera da boleia dela num Domingo de manhã, à porta do Café Ceuta. Quando chegou, sorriu para nós, e pediu desculpas (“cabeleireiro”…), com aquele sotaque tripeiro inconfundível.

Nessa primeira conversa, contei-lhe que, na véspera, tínhamos andado meio perdidos à chegada ao centro do Porto! E, quando perguntei a uma senhora que passava por nós na altura, onde é que estávamos, ela respondeu: “Oh senhuores, estão em Sá da Baundeira”! Ela riu às gargalhadas com esses "Senhuores" e “Baundeira”, que só se ouvem ditos desta forma em plena Invicta.

Sempre que falávamos, lembrávamo-nos com saudades dessa conversa. E gozava-me sempre com o "mêmo" - o "mesmo" que eu teimava em dizer à alfacinha. :)

Desde então, tornámo-nos bons Amigos. Ela acabou Direito, e eu fiz a minha Engenharia. Durante o meu Técnico, quis o destino que a sua Mãe partisse, igualmente muito cedo. Ela lutou com todas as suas forças para que tal não acontecesse mas, como todos sabemos, nestas coisas, quando tem que ser, é mesmo.

A partir daí, foi todos os Domingos visitá-la.

Depois, acompanhámo-nos no começo das nossas vidas adultas. Falávamo-nos imenso ao telefone, escrevíamo-nos, enfim: éramos mesmo Amigos. Conseguimos que os trezentos e treze quilómetros que nos separavam nunca nos tivessem efectivamente afastado.

Era daquelas amizades desinteressadas: cada um tinha a sua vida, os seus amigos, os seus colegas, a sua cidade. Mas sempre que falávamos, mesmo que fosse depois de meses sem o fazer, parecia que nos tínhamos visto ontem. Sabem como é, não sabem?

Foi com ela que fui, pela primeira vez, ao Aleixo, na Campanhã. Inesquecíveis filetes, aqueles! E também me mostrou a "Adega Machado", na Maia onde, pela primeira vez na vida, comi Papas de Sarrabulho! Espectáculo. :)

Lembro-me bem das suas vindas a Lisboa, sempre acompanhada pelo seu Zé Carlos: esteve nos U2 em 1997, em Alvalade, na Expo, em 98, em alguns Sporting – Porto (muito ela me picava por causa do futebol!) e em passagens esporádicas pela Portela, a caminho de outras paragens.

Vibrou imenso com as vitórias do seu Futebol Clube do Porto, que fez questão de acompanhar a Sevilha e a Gelsenkirchen nas finais que lhe trouxeram as mais recentes Glórias.


Nunca esquecerei toda a força que me deu naquele meu terrível ano de 1999. Também a ela devo muito da minha “recuperação”.

Ultimamente, falávamos menos – certamente já um reflexo do que a acabou por vencer. Mas, de vez em quando, lá vinham umas mensagens, ou uns e-mails. E nunca, mas nunca, se esqueceu de me dizer qualquer coisa por alturas do meu aniversário! No Natal, trocávamos os postais da praxe. “Gente fina é assim!”, como ela diria. :)

Partiu hoje. E não merecia que fosse assim.

Por tudo aquilo por que passou, e por tudo aquilo que ainda tinha que viver, não merecia. Nem ela, nem o grande Zé Carlos, nem o pai dela. Mas é assim.

É por estas e por outras que, por vezes, a descrença nisto tudo é enorme…

O meu mundo, hoje, abanou muitíssimo. Fiquei mais pobre e muito, mas mesmo muito triste.


Tenho pena de não lhe ter conseguido agradecer tudo aquilo que ela me deu, ao longo desta nossa Amizade. Mas acho que ela, onde quer que esteja, sabe que tem um lugar único aqui dentro, bem fundo no meu coração.

“Até logo, Cristina! E olha, quando finalmente nos reencontrarmos, a ver se voltamos a ir ao Machado, ali na Maia... ou “mêmo” ao Aleixo, comer uns filetes daqueles. Achas bem? :) "

terça-feira, 19 de junho de 2007

Fraquinho, muito fraquinho...


É de mim, ou o candidato que parece estar à frente da corrida e, quiçá, ganhar as eleições para a Câmara de Lisboa, é o mais fraquinho dos sete que se apresentaram hoje à noite no debate da SIC Notícias?

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Buckley, Jeff - version 2.0

A ouvir, da tal colectânea de que falei ainda há pouco:

- Last Goodbye
- Lover, You Should've Come Over
- Dream Brother
- The Sky Is A Landfill
- Everybody Here Wants You
- Je N'en Connais Pas La Fin
- Grace
- Hallelujah
- I Know It's Over (um cover dos Smiths!)

As outras são apenas "normais", digamos.

Às vezes Bloquista, sim, mas... sem som!

Gosto de ver os "frente-a-frente" do Jornal das Nove da SIC Notícias, com o Mário Crespo.

Normalmente, os debates têm bastante interesse, concorde-se ou não com as opiniões dos intervenientes. E se, normalmente, são bastante animados, informativos q. b. e, por vezes, muito instrutivos, quando entra a Ana Drago, deixo de conseguir ouvir.

Já tentei várias vezes mas, inexplicavelmente, não consigo ouvir nadinha. E o som está lá, atenção! Eu é que não o oiço...

Ou seja, fico ali meio aparvalhado, a olhar.

Será normal? Ou será da televisão? Deve ser.

A ver, portanto, mas sem som. Acho que não faz falta nenhuma...


Nota: não consegui encontrar na Net uma foto decente da dita cuja para ilustrar este post. O que não é fundamental, diga-se. Mas ficava mais... hmm... como dizer?... mais "composto", talvez...

Alternativas

Duas descobertas recentes.

A primeira é actual. Está na moda, até, segundo parece: "Boxer", dos The National. Julgo que se trata do terceiro ou quarto disco de originais deste grupo nova-iorquino.

Para quem não gosta de grupos americanos, aviso já que vale bem a pena dar uma espreitadela. No mínimo!

A bateria é quase 100% Joy Division. A voz é grave, mas belíssima. E tem guitarras eléctricas, um baixo à altura, piano, acordeão (!)... E as músicas são melodiosas!

Apesar da grande febre revivalista que estamos a viver - muito "eighties alternativos", digamos (Interpol, She Wants Revenge e outros do género) - não é muito vulgar aparecerem destas coisas assim.


A segunda é uma colectânea- "So Real: Songs From Jeff Buckley", de um músico que desapareceu jovem, faz agora dez anos.


Filho de Tim Buckley, um homem da folk, Jeff Buckley teve uma carreira brevíssima, mas na qual escreveu algumas músicas excelentes. Gravou apenas um álbum de originais - "Grace", do qual constam obviamente a grande maioria das canções que este disco traz.

Existem várias gravações suas ao vivo - de que é exemplo o "Mystery White Boy" - que incluem algumas versões de músicas de outros grupos, e outras novas, originais.


A sua voz, em estúdio, é absolutamente fantástica mas, quanto a mim, as gravações ao vivo não a trataram lá muito bem... As guitarras são excelentes - a dele e as acompanhantes - suportando várias canções muito interessantes!


Devo dizer que ainda não os ouvi mais do que umas duas ou três vezes. Mas acho que são daqueles discos que se vão entranhando, digamos. É cá um feeling...

Altamente recomendado para quem anda numa de músicas assim mais pró alternativas, ou underground, como se dizia nos meus tempos do Liceu. :)

Bons tempos...



These things you keep
You better throw them away
Turn your back
On your soulless days
Once you were tethered
Now you are free
Once you were tethered
Now you are free

That was the river
This is the sea
If you're feeling weary
Maybe been alone too long
Or else you've been suffering from
A few too many plans that have gone wrong
And you're trying to remember
How fine your life used to be
Running around banging your drum
Like it's nineteen-seventy-three
Well that was the river
This is the sea

You say you've got trouble
You say you've got pain
You say you've got nothin to hold on to
Nothing to trust, nothing but chains
You've been scouring your conscience
And raking through your memory
Scouring your conscience
And raking through your memory
But that was the river
This is the sea

I can see you wavering
As you try to decide
You've got a war in your head
And it's tearing you up inside
You're trying to make sense
Of something that you just don't see
You're trying to make sense now
And you know you once held the key
But that was the river
This is the sea

Now I hear there's a train
It's coming down the line
It's yours if you hurry
You've got still enough time
And you don't need no ticket
And you don't pay no fee
You don't need a ticket
You don't pay a fee
That was the river
This is the sea


Mike Scott, London, 1984

domingo, 17 de junho de 2007

A Rega das Plantas

Conhecemo-nos durante o Liceu. Muitos jogavam snooker juntos. E encontrávamo-nos quase todos os dias no café.

Depois, fomos entrando na Faculdade. Acompanhámo-nos durante essa longa jornada, trabalhosa e muito enriquecedora das nossas vidas. Frequências, exames, namoros, separações, férias, fins-de-ano...

Mais tarde, começámos a trabalhar. Vieram os primeiros ordenados, os chefes, os colegas, as colegas, as reuniões, as deslocações, etc.

Mas íamo-nos sempre vendo, falando. Passámos, obviamente, de encontros quase diários a um encontro mais semanal, no mesmo café, mais lá para Sábado à tarde. Discutíamos política, futebol, as nossas empresas, enfim, de tudo um pouco.

Depois, começaram os casamentos e, com eles, vieram as mudanças de casa. O grupo começou a espalhar-se geograficamente. Começámos a ir jantar a casa desses, e a coisa começou a tornar-se mais adulta. É assim. E é giro.

A seguir, vieram os filhos. Fomos ao hospital, ou lá a casa, para conhecer estes novos amiguinhos. É o normal, digo eu. E ainda bem que assim é.

António, irmão, ainda não deu! Mas não falharei!!! :)


Mas, apesar de tudo isto, e de uma forma lenta, foi-se dissolvendo o nosso grupo de amigos.

Hoje em dia, já ninguém vai ao café. Isto acho normal. Entendo que seja difícil para a maioria - moram mais longe, já têm filhos, etc. O que já não percebo bem é a ausência de telefonemas, ou de e-mails, ou até de simples SMS's.

Dizia-me um deles, há bem pouco tempo, que já nem se lembra da última vez que alguém lhe telefonou a saber como estava.

Isto, num grupo de amigos, será normal? Se calhar, não será bem um grupo de "A"migos. Será mais de "a"migos, digamos...

Aqui há uns anos, li um texto de alguém que os "catalogava" de uma forma bastante curiosa. Colocava-os em prateleiras distintas, digamos assim. Era qualquer coisa do género: os Amigos, os amigos, os amigos de café, os conhecidos, etc. Se calhar, e pegando nesta ideia, se calhar não passamos de amigos de café...

Na parte que me toca, faço mea culpa. Obviamente que continuo a ir com imenso gosto aos aniversários dos que me convidam, assim como continuo a receber com a mesma alegria a presença dos que convido nas minhas jantaradas. São praticamente as únicas alturas em que falamos com mais consistência, digamos.

Mas não ligo tanto como devia. Ou como queria. No dia-a-dia. À noite. Ao fim-de-semana. E também não recebo telefonemas, ou e-mails, ou SMS's como seria normal num grupo de Amigos...

Sinto muito esta ausência, como que uma agonia - palavra forte, esta, mas que julgo que traduz bem o que se passa; ou melhor, o que não se passa.

Confesso que não entendo muito bem isto. Bem sei que estamos longe de ser as mesmas pessoas que se conheceram há mais de vinte anos (já???). Mudámos todos muitíssimo, o que é absolutamente natural. Mas, caramba?, nem sequer queremos saber uns dos outros? Será que já não interessamos? Acho que nem sequer há invejas, nem zangas que justifiquem esta separação... Ou há?


Nestas coisas da Amizade, acho que é preciso tratar dela, tipo planta. Regá-la. Há que telefonar, há que convidar, há que mandar mensagens... mesmo que seja,
durante algum tempo, uma tarefa "unidireccional", digamos. Pode ser que, a partir daí, a coisa passe a "bi-direccional"... Se não passar, é pena. Resta a consolação de termos feito a nossa parte para que tal não acontecesse. Mas aconteceu. Será, pura e simplesmente, ir deixando ir, lentamente, pois ninguém gosta de continuar a puxar sozinho.

Restam os sub-grupos. Que existem sempre, em qualquer grupo de amigos.

Tenho pena, sinceramente.


Acho que está na altura de recomeçar a mandar e-mails...

Campeones!


O Real Madrid acabou de se tornar Campeão de Espanha em futebol. Fê-lo pela trigésima vez. Impressionante!, seja onde for.

O jogo decisivo foi muito emocionante. O estádio estava cheiinho que nem um ovo! É um espectáculo, quando é assim.

O Real Madrid jogou malzinho, diga-se, tendo sofrido por culpa própria até ao fim. A primeira parte, então, foi catastrófica... E apesar de o capello ter mexido na equipa ao intervalo, esteve a perder até aos setenta minutos, creio. Depois, lá empatou (Reyes), conseguiu passar para a frente (Diarra) e, pouco depois -muito importante, este facto! - cimentou a vitória já perto do fim (Reyes, de novo). O Maiorca até jogou melhor, mas não resistiu à pressão final dos madrilenos. Resultado final: 3-1.

O Roberto Carlos e o David Beckham, que se vão embora do clube, conseguiram-no com o título. Quem diria... É que, a meio do Campeonato, todos os deram como derrotados. O Sevilha e o Barcelona tinha muitos pontos de avanço. Mas nestas coisas da regularidade, as contas fazem-se é no fim. E foi contra tudo e contra todos.

Houve umas histórias recentes muito pouco dignas, quanto a mim, sobre eventuais pagamentos, ou prémios, pagos pelo rival Barcelona a jogadores deste Maiorca: caso conseguissem vencer o Real Madrid, receberiam prémios.

Aquele menino argentino "mau-carácter" (como dizem no Brasil...) do Barcelona, o Messi, veio a público dizer que achava muito bem... E não foi o único, segundo parece. Acho que nem é preciso dizer mais nada.

Não serviu de nada, afinal.

Acho que está bem entregue, este título. O Real Madrid conseguiu julgo que oito vitórias nos últimos nove jogos, e aproveitou uma certa sobranceria com que os seus adversários - principalmente o Barcelona - encararam a parte final da prova. Como tal, acho que está certo.

Agora, vai tudo de férias. Nós, os telespectadores, e eles.


Na bancada, além da obviamente obrigatória Victoria Beckham e seu séquito, estavam o Tom Cruise e família, o tenista Rafael Nadal e outras vedetas...

Estamos a milhas disto tudo.